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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Metades



Eu não sou qualquer uma.
Penso alto, sonho alto
Eu não só desejo
Eu almejo
Vou além

Não me venha com tradicionalismo
Rotina pra mim é sinônimo de descaso
Tanto faz como tanto fez
Eu não sou qualquer uma
Faço questão de dizer outra vez

Não sou peça do seu jogo
Há muito perdi meu livro de instruções
Não conheço regras, leis ou manuais
Tanto fez como tanto faz

Você chega e me trata desse jeito
Acha engraçado brincar de ser perfeito?
Absorve, consume, traz encanto
Fez tanto, como faz tanto

Minha mente me grita
Não se entregue, não perca o chão!
Metade de mim é realidade
Mas a outra metade é coração

Eterno equilibrista
Você encontra uma linha tênue
E brinca com minha divisão
Encara essa mistura como pura diversão

Todo esse mistério só me encanta ainda mais
Se tenho alguma dúvida
Tanto fez, como tanto faz...
Seu sorriso sempre satisfaz

Vai e volta como em um balanço
Surge sempre em momentos de desencanto
Não deixa que eu me livre de você
Quando, secretamente, o que mais quero é te perder

A desilusão é o caminho mais eficaz
Machuca, dilacera, tortura
Mas uma hora
Vai embora
Dolorosa cura

É quando metade de mim grita novamente
Olhe pra dentro e entenda o que você sente!
Enquanto parte de mim receia se entregar
Outra parte precisa de você pra continuar

Luto comigo mesma
E com a mistura que me compõe
Enquanto você fica do seu lado
E assiste a tudo afastado

Talvez tenha medo também...
Sente por mim o que nunca sentiu por ninguém
Quem sempre lidou apenas com momento
Teme que o sentimento leve muito mais além

Metade de você é coração
Mas a outra metade é opção
Às vezes dura, às vezes mole
Algumas vezes cospe, outras engole.

Mas eu
Eu não sou qualquer uma
Vou além

Então me diga...
Qual sabor a nossa história tem?

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Mudanças



Mudanças
Mudanças
Mudanças

Alterações?
Não.

Mudanças.

Em toda a plenitude da palavra:

Mudanças.

Andanças.

Transformações?
Não.

Mudanças

Em toda plenitude da vida:

Mudanças

Momentos.

Metamorfoses?
Não.

Mudanças

Em toda plenitude do tempo:

Mudanças

Evolução?
Não.

Mudanças

Em toda plenitude dos sinônimos:

Vida
Tempo
Caminho
Crescimento

Mudanças

Mudanças
Mudanças
Mudanças

Encerramento?
Não.

Mudança...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Talvez fosse a hora



Às vezes, me pego no meio de um devaneio e fico curiosa. Penso que deve haver algo de tão errado comigo, que tenho que parar para tomar um fôlego antes de continuar com a vida. Entregar-me exige tanto que preciso de um tempo para realizar todo o processo. Como posso ser tantas em uma só? Quando durmo uma noite sendo fria, ao amanhecer queimo qualquer um que me tocar. Para quê tanta contradição? Vivo em extremos, opostos, começo e fim de uma ponte. Vôo no chão e rastejo ao céu. Por quê? Entre tantas falhas, pedaços de mim mal encaixados e detalhes fora do lugar, encontrei algo positivo... mas acabo de me esquecer o quê.

Talvez não fosse a hora.

Às vezes, me pego no meio de um relato de devaneio e fico curiosa. Penso que deve haver algo de tão certo comigo, que tenho que parar para tomar um fôlego antes de continuar com a vida.

Talvez seja essa a hora.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Você



Você me faz querer escrever de novo
Aquilo que há de melhor em mim
O dom adormecido que cala em intervalos
Você vem e, quase sem querer, desperta

Tem ideia do que é isso?
Não
Fala comigo com descompromisso
Ri pra mim porque riu pra mim
E não porque foi conveniente

Conta da sua vida
Não quero ser sua amiga
Mas se for essa a alternativa
Eu a agarro com unhas e dentes
Só pra poder ter sonhos permanentes

Tenho fotos suas escondidas
Que me curam em tempos de feridas
O seu rosto pra mim é cura forte
Remédio, reza, amuleto de sorte

Teu sorriso...
Prefiro não falar
Falar é compartilhar
Mas eu o quero só pra mim!

Quero você ao meu lado
Nas horas boas
Nas ruins eu não desejo
Eu preciso

Tudo agora é por você
Todas as diversões são calculadas
E o melhor delas
É que poderei dividi-las com você
E ouvir tudo que tem a dizer

E ouvir seus ligeiros segredos
Mas contar os meus por inteiro
Me entregar tão facilmente...
Na hora em que você quiser
No lugar em que você quiser

De primeira achei que fosse fácil
Mas percebo que você me tem
Como ninguém
Ninguém.

Não sou mulher de um só amor
E você não é minha primeira aposta
Mas faz tempo que não me sinto assim
E afirmo
É disso que esta mulher mais gosta

Não espere que eu o agradeça
E por você aqui padeça
Caso nada aconteça
Vida que segue

Mas se você quiser
Só se você quiser
Posso ser o que você quiser

Não aguento mais tanto desencontro
Nem toda essa tensão
Eu sou pé direito
Você é pé esquerdo
Mas o movimento parte da união...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Lente de AUMENTO



Posso correr até no asfalto
que escorrego
Passo a mão sob meus olhos
eu esfrego
A um palmo do meu rosto
não enxergo
Tudo isso quando o caminho
está deserto

Mas você chega e me oferece a mão
"Oi, faminta. Você quer um pão?"
O que era pequeno ganha TAMANHO
O que era perda vira GANHO

O turvo ficou CLARO para mim
Quem diria que o MUNDO era BELO assim
Finalmente ENXERGO as FLORES!
E sou capaz de DINSTINGUI-LAS pelas CORES!

Vejo PÁSSAROS, ÁRVORES E GENTE
Vejo FRIO, MORNO E TAMBÉM QUENTE
Vejo SAL, DOCE E SEDENTO
Vejo ÁSPERO, LISO E GRUDENTO

ARREPIOS, SONHOS E FANTASIA
SONS, HARMONIA E MELODIA
SENSAÇÕES, BRILHO E SINESTESIA
Vejo TUDO aquilo que eu antes não podia

A vida deixou de ser tormento
Você me trouxe uma LENTE DE AUMENTO
Deixei para trás minha visão
E passei a ENXERGAR com SENTIMENTO


PASSEI A ENXERGAR COM SENTIMENTO!


Deixei pra trás minha visão
Você me trouxe uma lente de aumento
A vida deixou de ser tormento

Vejo tudo aquilo que eu antes não podia
Sensações, brilho e sinestesia
Sons, melodia e harmonia
Arrepios, sonhos e fantasia

Vejo áspero, liso e grudento
Vejo sal, doce e sedento
Vejo frio, morno e até quente
Vejo pássaros, árvores e gente

E sou capaz de distingui-las pelas cores!
Finalmente enxergo as flores!
Quem diria que o mundo era belo assim
O turvo ficou claro para mim

O que era perda virou ganho
O que era pequeno ganhou tamanho
"Oi, faminta. Você quer um pão?"
Mas você chega e me oferece a mão

Está deserto
Tudo isso quando o caminho
Não enxergo
A um palmo do meu rosto
Eu esfrego
Passo a mão sob meus olhos
E escorrego


POSSO CORRER ATÉ NO ASFALTO!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

A parte funda



Alguns tem um sério problema: não se contentam.

Vivem me chamando atenção pelo meu all star rasgado, minha meia furada, minhas unhas roídas. Meu cabelo bagunçado, minha cara amassada e minhas roupas aleatórias.

Eu tenho um sério problema: não me contento.

Está longe de me chamar a atenção um vestidinho florido, um cabelinho arrumado e uma maquiagem bem feita. Não estou nem aí pro teu sapato lustrado, tuas calças de marca e teus óculos importados.

Tudo isso pra mim é superfície.
Mas eu sempre gostei da parte funda.

Por debaixo destes trapos existe um corpo quente. Que incendeia. Perfeitamente capaz de causar queimaduras de terceiro grau: daquelas que penetram a carne.
Por trás dos meus óculos baratos se esconde um par de olhos que almoça, janta e faz questão de sobremesa: olhos castanhos que devoram. Engolem. Sugam. Absorvem.
Por dentro de meus tênis, debaixo dos furos de minhas meias, existem os meus passos. Passos. É dali que vem o meu movimento. São com eles que eu sigo em frente.

Nunca fui aparência, máscaras não cabem em meu rosto, minha alma é profunda demais para camuflagens. Gosto de brincar com o superficial, distraindo os alheios para que evitem se aproximar da minha complexidade. Sou um buraco no fundo do mar, são poucos que suportam a pressão ao tentar mergulhar dentro de mim.

Perguntaram-me um dia por que eu não experimento ser gente de verdade, ao menos uma vez.

"Mas eu sou de verdade. Só não sou gente."


domingo, 2 de maio de 2010

À Vida



Digo olá à vida
Olá, Vida!
Tu és, do preto e branco,
A parte colorida

Pergunto como à vida
Como, Vida?
Ainda posso ser feliz
Se vivo tempos de ferida

Agradeço à vida
Obrigada, Vida
Em meio a todo esse caos
Ainda me sinto protegida

Desabafo com a vida,
É tão difícil, Vida
Mas por mais que a dor corte
Mantém a força entretida

Divido com a vida,
Mas não espalhes, Vida
Em meio à tantas folhas secas
Eu me sinto margarida

Prometo à vida
Eu prometo, Vida
Coração dilacerado
Mas fé inatingida

Confesso à vida,
Eu te confesso, Vida
Tu és, das lições,
A minha preferida.