Há algum tempo, venho buscando algo que me complete a alma, que me incendeie o corpo, que me suba a cabeça e me cause arrepios. Algo que me mexa comigo, que me transforme, que me enfeitice, que me faça querer mais, que me faça pedir por mais.
Neste momento, eu busco por um novo amor, preciso de um novo amor. Minha alma clama por chama, chama por calor, cala em meio a solidão e se consolida quando apaixonada. Preciso de uma metade, não consigo ser plena em mim mesma por muito tempo. Porém não exijo alguém que seja por inteiro, que seja uma forma sólida e sem graça. Gosto de amar pedacinho por pedacinho, parte por parte e descobrir cada detalhe, me jogar em cada mistério e me entregar à cada movimento.
Neste momento, eu te busco sem saber quem realmente és. Podes ser baixo, alto, não me importa a cor de teus cabelos, de teus olhos, não é relevante o modo como te vestes. Mas, ainda assim, sem ter nenhuma pista de quem possas ser, eu te busco. Não precisa nem ser carne, basta ser apenas sentimento, fantasia, desejo... Basta ser alma pura e divertida, alma que se entregue, basta ser vulnerável ao amor.
E basta querer me fazer completa.
Por onde andas, neste momento?
domingo, 24 de maio de 2009
sexta-feira, 8 de maio de 2009
Ei!
Ei! Eu
Brinquei, pulei, cantei
joguei, dancei, gritei
pintei, enfeitei, acabei
Participei, aliviei, virei,
tentei, apostei, acreditei
Acreditei. Eu acreditei.
Acreditem ou não
Eu agora virei rei
Virei!
Transformei, me tornei
Rei. Eu me sinto como rei.
Mas não como real
Ei! Quantos eis ainda me restam?
Busquei eu já falei?
Mas falei eu não citei
Busquei, falei, citei...
Mas ainda falta algum
Ei! Lembrei!
Lembrei
brinquei, pulei, cantei
joguei, dancei, gritei
pintei, enfeitei, acabei
participei, aliviei, virei,
tentei, apostei, acreditei
busquei, falei, citei, lembrei...
Ei!
Eu li
Eu ri
Eu rei.
Brinquei, pulei, cantei
joguei, dancei, gritei
pintei, enfeitei, acabei
Participei, aliviei, virei,
tentei, apostei, acreditei
Acreditei. Eu acreditei.
Acreditem ou não
Eu agora virei rei
Virei!
Transformei, me tornei
Rei. Eu me sinto como rei.
Mas não como real
Ei! Quantos eis ainda me restam?
Busquei eu já falei?
Mas falei eu não citei
Busquei, falei, citei...
Mas ainda falta algum
Ei! Lembrei!
Lembrei
brinquei, pulei, cantei
joguei, dancei, gritei
pintei, enfeitei, acabei
participei, aliviei, virei,
tentei, apostei, acreditei
busquei, falei, citei, lembrei...
Ei!
Eu li
Eu ri
Eu rei.
sábado, 2 de maio de 2009
Mas e o mais?
Eu quero mais, não me contento. Eu quero sempre mais, mas nunca sempre. Eu não preciso da eternidade, eu preciso da intensidade. Eu não quero nunca 'nunca mais', quero sempre 'sempre mais', mas nunca quero apenas sempre ou nunca. Vê-se que preciso de um complemento, mas eu não quero mas. Eu não quero os opostos, me atrai a adição, a variedade. Eu quero o mais advérbio, já que aquele que é conjunção me traz idéia de adversidade... Eu não quero adversidades. Eu quero as diversidades.
E tem
E tem aquelas ondas que quebram na pedra e espalham suas águas por todos os lados. E tem aquela areia que me faz cócegas e me arranca um sorriso fácil, sincero e tranquilo. E tem os paralelepípedos pelos quais eu ando, corro e muitas vezes flutuo. E tem a maresia que cai sob todos os anteriores. E tem o vento que me bagunça os cabelos e me causa um arrepio daqueles que a gente sente quando ama. E tem quando a gente ama. E tem quando a alegria. E tem quando a gente está, quando a gente esteve e terá também quando a gente estará. E terá eu e você, ou eu e ele, e mesmo quando não tiver outro pronome pessoal pra me acompanhar, ainda restará 'eu'. Ou ainda restarei. Ou não, porque eu nunca vou restar. Eu vou é sempre estar.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Quem?
Quem vai me dizer que
o que passou foi bom?
Se da música que agora toca
eu não ouço nenhum som
Quem vai me provar que
o amor que dei não foi em vão?
Se do "sim" que nós dissemos
hoje resta apenas "não"
Quem vai insistir que
a vida é boa de viver?
Se um dia eu prometi
que viveria por você
Quem vai me mostrar que
o para sempre é utopia?
Se a eternidade era
a nossa fantasia
Quem vai responder
por quê existe o final?
Se o amor sempre começa
sendo imortal
Quem vai ser capaz de
dizer que não acredita?
Se à fronteira da ausência
meu coração não se limita...
Ninguém.
Ninguém vai me dizer
Ninguém vai me provar
Ninguém vai insistir
Ninguém vai me mostrar
Ninguém vai ser capaz...
Além de você
E da falta que você me faz.
o que passou foi bom?
Se da música que agora toca
eu não ouço nenhum som
Quem vai me provar que
o amor que dei não foi em vão?
Se do "sim" que nós dissemos
hoje resta apenas "não"
Quem vai insistir que
a vida é boa de viver?
Se um dia eu prometi
que viveria por você
Quem vai me mostrar que
o para sempre é utopia?
Se a eternidade era
a nossa fantasia
Quem vai responder
por quê existe o final?
Se o amor sempre começa
sendo imortal
Quem vai ser capaz de
dizer que não acredita?
Se à fronteira da ausência
meu coração não se limita...
Ninguém.
Ninguém vai me dizer
Ninguém vai me provar
Ninguém vai insistir
Ninguém vai me mostrar
Ninguém vai ser capaz...
Além de você
E da falta que você me faz.
sábado, 11 de abril de 2009
Aquela que me colore a alma
Minha mãe chegou em casa com um presente, uma noite. Eu, criança, pequena e desesperada, me joguei em seus braços em um abraço caloroso, que teria como recompensa a abertura daquele tão reluzente papel de embrulho que envolvia o presente. Lembro como se fosse hoje... Era grande e plano. O quê, para uma criança, é mais atrativo do que um embrulho grande?
- Abra-o, minha querida. É pra você. - disse minha mãe.
Sem tentar disfarçar a ansiedade, me joguei em cima do embrulho, rasgando-o como um leão faminto diante de sua presa. Ao abri-lo, senti-me decepcionada e, confesso, com um pouquinho de raiva. O que eu iria querer com um quadro grande e branco, daqueles de pintar? Eu nem gostava de desenhar! No fundo do pacote ainda havia uma caixa com tintas coloridas e dois pincéis... Sem graça. Logo minha mãe, que me conhecia melhor do que ninguém, havia me dado um presente que eu, no auge dos meus 7 ou 8 anos, julgara dispensável. O que será que havia dado na cabeça dela?
- Venha, minha filha. Pegue as ferramentas que lhe dei e sente-se aqui do meu lado. Agora, juntas, vamos fazer o seu presente! - disse ela.
Brincadeira, né? Eu estava desapontada e desejava ir assistir ao meu desenho... O que minha mãe estava querendo dizer com "fazer o meu presente"? Pra mim, os presentes estavam jogados ali, no chão, bem em frente a nós duas. Mesmo um pouco desorientada, fiz o que mamãe pediu e sentei-me ao lado dela, no chão da sala, com o pincel à mão e as tintas e o quadro próximos de nós.
Foi incrível.
Comecei com uma flor, um dos poucos desenhos que sabia fazer com perfeição, já que meus bonecos eram cabeçudos e magrelos e minhas árvores mais pareciam sorvetes de casquinha. Mamãe ganhou minha admiração ao desenhar uma linda casinha, com traços tão simétricos que beiravam o real. Mas isso foi no começo... Depois, começamos a rabiscar. Misturávamos as tintas e criamos novas cores. Virávamos o pote em cima do quadro e criávamos novas formas. Mergulhávamos a mão na tinta e as deixávamos marcadas na pintura. Até que, com o espaço branco colorido quase por completo, resolvemos pintar uma à outra. Desenhei um coração na mão de mamãe e ela fez o mesmo na minha. Lembro-me perfeitamente do maravilhoso sentimento que me possuía naquele momento... Eu tinha minha mãe só pra mim. Era comigo que ela estava se divertindo, por minha causa que estava sorrindo. Naquele momento, ela era só minha e de mais ninguém.
No fim, eu estava esgotada, mas plenamente satisfeita. Mamãe me deu banho e me botou pra dormir, o que não acontecia com frequência, já que ela costumava chegar cansada do trabalho e, muitas vezes, ia se deitar antes de mim.
Naquela noite, não sonhei. Por quê precisaria?
À você, mãe, agradeço por me ensinar o valor da vida. Obrigada por me ajudar a transformar um quadro branco em uma obra de arte, me mostrando que, quando uma coisa nos decepciona, basta darmos cor à ela.
E obrigada por fazer parte de mim.
- Abra-o, minha querida. É pra você. - disse minha mãe.
Sem tentar disfarçar a ansiedade, me joguei em cima do embrulho, rasgando-o como um leão faminto diante de sua presa. Ao abri-lo, senti-me decepcionada e, confesso, com um pouquinho de raiva. O que eu iria querer com um quadro grande e branco, daqueles de pintar? Eu nem gostava de desenhar! No fundo do pacote ainda havia uma caixa com tintas coloridas e dois pincéis... Sem graça. Logo minha mãe, que me conhecia melhor do que ninguém, havia me dado um presente que eu, no auge dos meus 7 ou 8 anos, julgara dispensável. O que será que havia dado na cabeça dela?
- Venha, minha filha. Pegue as ferramentas que lhe dei e sente-se aqui do meu lado. Agora, juntas, vamos fazer o seu presente! - disse ela.
Brincadeira, né? Eu estava desapontada e desejava ir assistir ao meu desenho... O que minha mãe estava querendo dizer com "fazer o meu presente"? Pra mim, os presentes estavam jogados ali, no chão, bem em frente a nós duas. Mesmo um pouco desorientada, fiz o que mamãe pediu e sentei-me ao lado dela, no chão da sala, com o pincel à mão e as tintas e o quadro próximos de nós.
Foi incrível.
Comecei com uma flor, um dos poucos desenhos que sabia fazer com perfeição, já que meus bonecos eram cabeçudos e magrelos e minhas árvores mais pareciam sorvetes de casquinha. Mamãe ganhou minha admiração ao desenhar uma linda casinha, com traços tão simétricos que beiravam o real. Mas isso foi no começo... Depois, começamos a rabiscar. Misturávamos as tintas e criamos novas cores. Virávamos o pote em cima do quadro e criávamos novas formas. Mergulhávamos a mão na tinta e as deixávamos marcadas na pintura. Até que, com o espaço branco colorido quase por completo, resolvemos pintar uma à outra. Desenhei um coração na mão de mamãe e ela fez o mesmo na minha. Lembro-me perfeitamente do maravilhoso sentimento que me possuía naquele momento... Eu tinha minha mãe só pra mim. Era comigo que ela estava se divertindo, por minha causa que estava sorrindo. Naquele momento, ela era só minha e de mais ninguém.
No fim, eu estava esgotada, mas plenamente satisfeita. Mamãe me deu banho e me botou pra dormir, o que não acontecia com frequência, já que ela costumava chegar cansada do trabalho e, muitas vezes, ia se deitar antes de mim.
Naquela noite, não sonhei. Por quê precisaria?
À você, mãe, agradeço por me ensinar o valor da vida. Obrigada por me ajudar a transformar um quadro branco em uma obra de arte, me mostrando que, quando uma coisa nos decepciona, basta darmos cor à ela.
E obrigada por fazer parte de mim.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
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