segunda-feira, 14 de julho de 2014
Misturado
Confusão de palavras
Uma sai
Uma tem que sair
A primeira puxa as outras
Movimento
Bagunçado
Elas correm
Se misturam
Bagunçado
E aqui dentro eu sinto
Sinto
Sinto
Bom
Minha mente
Palavras bagunçadas
Misturadas
Quero soltar
Deixar sair
Let it go
Amor
Ai!
Palavra forte
Sentimento mais ainda
Abusei?
A arte de exagerar
De prender pra soltar tudo de uma vez
Um, dois, três...
Respirei
Palavras
Quero dizer
Quero viver
Mergulhar
Não me importa
Sentir
Quero sair
Abrir a janela me deu vontade de pegar sol
Acho que é hora de dar um pulo lá fora
E dar adeus ao sofá velho
Amor.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Rabiscos no caderno
Eu não estou entendendo nada. Nem da aula, nem do mundo. Do outro lado ou deste.
Saudades. No plural.
Amo muito tudo o que eu tenho. Me machuco e me magoo, mas me amparo. Me seguro. Amo muito todos que me tem. Talvez seja hora de parar de amar muito. Decidi que vou fazer teatro. E escrever. Botar pra fora. Quero ser mais pra não ter que depender. Não quero nunca depender. Preciso me lembrar disso o tempo todo. Talvez seja melhor tatuar. Mas o quê? Sorrio, choro, choro, sorrio...
Mas quando choro é querendo sorrir. É querendo que passe. Choro de agonia por não sorrir. Mas talvez faça parte. Tem que fazer parte! Será que existe alguém que se acostuma à dor?
Se um sapato me fez calo, devo continuar a usá-lo só porque acho bonito? Não! Tirei do pé, guardei no armário. Mas devo jogá-lo fora? Não é fácil jogá-lo fora. Quero jogá-lo fora? A sensação que tenho agora é a de que todos os sapatos bonitos vão me fazer calo. Parei de confiar. Talvez seja melhor andar descalça. Mas o chão, às vezes, é frio demais. E se eu pisar em cacos de vidro?
Ah, as metáforas...
Existe remédio que controla pensamento? Existe remédio pra mal de sentimento?
Por que esta aula não acaba logo?
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
Haja bagunça!
Tanta coisa pra arrumar
Tantas fotos pra queimar
Lembranças pra encaixotar
E sentimento pra espanar
Aquele nosso momento bom
Dá pra esconder debaixo do edredom?
Quanto ao gosto do seu beijo
Em qual setor é que eu me queixo?
Onde deixo o seu sorriso?
Não o quero mais comigo
Suas palavras eu largo na rua
Jogo no mar, mando pra lua
Quero que este amor termine assim
Pego o poema
Corto no meio
E transformo em fim.
Mas depende de mim?
terça-feira, 29 de outubro de 2013
Do meu lado
Do meu lado
Em alguns instantes você viaja
Mas agora está aqui
Do meu lado
Quanto tempo ainda falta
Pra você me fazer falta
Tem caminho pra correr
Tem estrada pra seguir
Mas e eu que fico aqui?
Mas e eu?
Que faço aqui?
Se me perguntar
Eu não deixo você ir!
Eu te boto pra dormir
Do meu lado
Eu te conto um segredo:
Sem você eu tenho medo
Que será que vem aí?
Depois que você partir
Eu abraço o meu mundo
Que é grande e profundo
Mas será suficiente?
Sentimento que consome
Será que você some?
Onde posso me esconder?
Para onde vou correr?
Sem seus pés na areia
Tantas coisas vem e vão
Tantos "sim" viraram "não"
Mas você não é resposta pronta
Não certo ou errado
Não é decisão final
Eu te quero do meu lado
Abraçado, aconchegado
Revirado
Como gaveta que ladrão abriu Pra roubar coração
Onde está?
Quando será que vai parar?
Daqui a pouco você vai
Mas agora está aqui
Inesperado
Daqui a pouco você vai
Mas ainda fica por aqui
Por tanto tempo estará aqui
Do meu lado.
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Há quanto tempo não escrevo um poeminha...
Bateu vontade de escrever um poeminha
Aconchegante feito cama bem quentinha
Com palavras bobas e gostosas
Com estrofes lindas e formosas
Deu vontade de escrever bem devagarinho
Palavras bobas para deixar o coração quentinho
Versos simples para serem lidos com carinho
Palavras no diminutivo para ficar bem bonitinho
Poeminhas me lembram abraço de namorado
Que me lembra sorriso encantado
Que me lembra amor exagerado
Que me lembra que amor nunca é exagero
Falta de amor, sim, é desespero
Mas meu poema quentinho me aconchega
Palavras fofinhas me pegaram de surpresa
Quem diria!
Eu bem queria!
Coisa boa é viver assim, devagarinho
E aproveitar todas as partes do caminho
Pois coração que é bom vive em desalinho
De vez em quando, bate aquela cosquinha
E eu fico assim, toda risonha e bobinha
Quisera eu ser sempre menininha!
quarta-feira, 23 de janeiro de 2013
Milagre da vida
Dos tantos milagres que permeiam esta vida, acredito que o tempo seja o que mais me encanta. Nada é páreo para tanta sabedoria, tanto acerto de contas, tanto desfecho arrebatador. Com o tempo, tudo se acerta, tudo se encaixa - ou deixa de. Quando não se encontra um rumo, ao menos se desencontra vários.
Já valeu a pena.
Por tantas vezes lágrimas escorreram por meu rosto: saudade, decepção, medo. Por tantas vezes meu coração ficou tão apertado que me comprimia o peito. Dor de corte profundo, sangrento, mas que não leva ponto.
Ainda assim, valeu a pena.
Neste janeiro, sou o que sou graças ao que fui nos outros. A cada dia, cresço e me consolido umas pessoas. Tantas várias em meio a uma só. Tão gostoso saber que aqui dentro cabe um montão de gente. Tão incrível saber que todas elas sou eu.
Eu, sozinha. Eu, sempre tão acompanhada.
Um dia, quem sabe, aprendo a não criar expectativas. Nada mais extasiante do que saber que não sei. O tempo é milagre por deveras sábio: vem, vem de novo, vem para sempre. Não senta pra chorar, não deixa de ir à festa, não esquece de pedir perdão. Não deixa nada para depois. O tempo tem hora. O tempo é hora. O tempo são horas.
A vida é agora. E agora. E agora. E agora. E agora...
(que dom maravilhoso!)
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Coração partido não pega experiência
Coração partido não pega experiência.
Não é a desilusão que nos faz pessoas melhores. Mais fortes, talvez. Melhores não. Nunca é bom desacreditar em sentimento, achar que "tudo foi bobagem e logo passa". O sofrimento não nos torna invencíveis ou nos afasta de novos males. Muito pelo contrário: o ser humano sempre gostou de se agarrar na velha possibilidade de que "agora vai ser diferente". A chance é lógica: sempre vai ser diferente. O mundo está em eterno movimento.
Isso não significa que um mesmo motivo não vá te fazer sofrer inúmeras vezes.
Desculpe, mas a desilusão - até hoje - não me trouxe nada de bom. Talvez porque eu siga ignorando quaisquer sinais de que o amor não é soberano. Para mim sempre vai ser. Sinceramente? Rezo não para me tornar mais forte ou preparada, mas para que seja capaz de viver eternamente o mesmo erro. Espero conseguir fechar meus olhos antes de optar por saltar de um novo penhasco. Ainda que minha cara fique desfigurada por tanta queda, meu coração seguirá intacto. Um pouco receoso, é bem verdade, mas nada que seja incurável. Cada um sabe a ilusão que vive. Nem todo louco roga pela lucidez.
Ninguém tem obrigação de ser feliz. Esse é um dever chato, pesado e cinzento. A tristeza é parte importante da vida. Por que não aceitá-la? Ninguém sofre menos que ninguém. Uns apenas disfarçam melhor do que outros.
No fim das contas, sofrer por amor é sempre válido. O que muitos não enxergam é que essa causa - que tanto nos machuca - é a mesma que vem para nos cuidar.
O amor fere. Mas é só o amor que cura.
Não é a desilusão que nos faz pessoas melhores. Mais fortes, talvez. Melhores não. Nunca é bom desacreditar em sentimento, achar que "tudo foi bobagem e logo passa". O sofrimento não nos torna invencíveis ou nos afasta de novos males. Muito pelo contrário: o ser humano sempre gostou de se agarrar na velha possibilidade de que "agora vai ser diferente". A chance é lógica: sempre vai ser diferente. O mundo está em eterno movimento.
Isso não significa que um mesmo motivo não vá te fazer sofrer inúmeras vezes.
Desculpe, mas a desilusão - até hoje - não me trouxe nada de bom. Talvez porque eu siga ignorando quaisquer sinais de que o amor não é soberano. Para mim sempre vai ser. Sinceramente? Rezo não para me tornar mais forte ou preparada, mas para que seja capaz de viver eternamente o mesmo erro. Espero conseguir fechar meus olhos antes de optar por saltar de um novo penhasco. Ainda que minha cara fique desfigurada por tanta queda, meu coração seguirá intacto. Um pouco receoso, é bem verdade, mas nada que seja incurável. Cada um sabe a ilusão que vive. Nem todo louco roga pela lucidez.
Ninguém tem obrigação de ser feliz. Esse é um dever chato, pesado e cinzento. A tristeza é parte importante da vida. Por que não aceitá-la? Ninguém sofre menos que ninguém. Uns apenas disfarçam melhor do que outros.
No fim das contas, sofrer por amor é sempre válido. O que muitos não enxergam é que essa causa - que tanto nos machuca - é a mesma que vem para nos cuidar.
O amor fere. Mas é só o amor que cura.
domingo, 30 de outubro de 2011
Andamos longe
Tem dias em que você percebe o quando andava longe de si mesmo.
Faculdade, mercado de trabalho, trânsito, pesquisa, relatório. Até mesmo seu momento de lazer é calculado: na quarta-feira, você programa a noite de sexta, a tarde de sábado e deixa parte de domingo para descansar. E que venha o fim de semana!
Até que, um belo dia, você acorda e sente algo diferente. Vai até o espelho e observa cuidadosamente a sua imagem. Você percebe como viver no automático ameniza a passagem do tempo, mas não o impede de deixar marcas. Você muda, a vida corre, o tempo passa, tudo acorda diferente... aquela velha história. Mas em que parte do caminho você se deixou cair?
Todo mundo reflete antes de ir dormir. Todos pensam sobre a vida enquanto se dirigem ao local marcado, enfrentam um engarrafamento ou caminham pela praia. A questão não é essa reflexão efêmera, momentânea e automática, mas o olhar voltado para dentro. Quando foi a última vez que você olhou para dentro de si mesmo?
Perdemos muito tempo ao escolher o caminho que deve ser seguido. Talvez fosse melhor desperdiçar dias com a escolha errada, só para sentir o gosto da renovação. O aprendizado mais incrível é aquele que parte de nossa própria falha. Todo mundo merece ter um erro para chamar de seu.
De repente, o você refletido no espelho chama atenção. Há quanto tempo você não entrava em contato com si mesmo. Há tantos dias você tinha se deixado passar. Porém, essa distância não vinga nunca. A gente se perde, mas nunca se desvencilha da gente mesmo.
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
Procura-se
É mais ou menos esta a sensação: você sabe como o amor é delicioso, mas não o encontra em mais nenhuma loja. A procura é mais difícil porque descarta promoções. Amor não se compra em liquidação. Além de ter um custo alto, não se efetuam trocas. Por mais insatisfeito que o cliente fique, já era: após certo tempo de uso, não se devolve mais. Mas quem é louco o suficiente para cogitar se livrar do amor? Se a primeira compra não satisfez, levante da cama e vá à luta. Você acaba encontrando.
Só não demore: quando a gente passa muito tempo sem comer doce, esquece o gosto do açúcar. Sem sequer perceber, você estará pingando gotas de adoçante. Ouvi dizer que na receita do amor genérico consta infelicidade. Está servido?
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Ventania
Dizem por aí que a gente aprende a lidar com os outros pela convivência. Talvez por isso incomode tanto o fato de não ser capaz de compreender a pessoa com quem mais convive: você mesma.
Nem sempre a gente sabe ao certo o que sente. Não é lei compreender o turbilhão de sentimentos que nos tomam de tempo em tempo. Você não faz questão da presença dele ao seu lado, mas machuca saber que ele quer a dela. Ainda que não o deseje, pensa que poderia ser você. E insiste em se perguntar: por que não é?
Chega um ponto em que “não foi porque não era pra ser” passa a não ser mais resposta. Você vira, revira e questiona essa justificativa: quem disse que não era pra ser? É arrogância achar que o destino se resume a começo e fim. Tem tanta coisa no meio disso que você flutua só em pensar. Terminar não necessariamente significa sofrer. O final é sempre a parte mais bela de qualquer espetáculo.
De repente, você não sente mais nada. Foi apenas um susto, uma notícia de última hora. Pegou de surpresa e foi direto em sua parte mais frágil: as lembranças. Sempre tem um sábio para dizer que “quem vive de passado é museu”, mas você não concorda: esquecer é não se entregar. Todos os instantes presentes se tornarão passados em questão de segundos. Você vai apagá-los?
O presente é o passado do futuro.
Então, você cede. Se deixa envolver pela memória, sente seu gosto: permite que ela entre para depois deixá-la ir. Lembranças são como ventania. Elas chegam, sacodem seu cabelo, arrepiam sua alma e ventam para outro lugar. Talvez um dia elas voltem, talvez nem apareçam mais. Quem sabe?
Você percebe então que os outros estavam errados: a convivência não é a melhor forma de compreensão. Convive com si mesma há tanto tempo e, ainda assim, não entende tudo o que sente...
Mas se permite sentir tudo o que venta.
Dessa forma, se compreende por inteira.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Deixe a porta aberta
Vá
Mas deixe a porta aberta
Que é pro vento ainda soprar
Pra brisa penetrar
E o amor não sufocar
Depois de lágrimas cortantes
E de silêncios tão gritantes
Sugiro que vá
Vá
Mas deixe a porta aberta
Após tanto você me fala em ir
Pois peço que o faça com constância de ampulheta
Que mede o tempo como se fosse apenas tempo
E não senhor de toda vida
Vá como se não voltasse mais
Como se fosse de encontro ao para sempre
Ainda que não se encontre eternidade assim tão dura
Como se não fosse cavar um buraco profundo
E enterrar nossos momentos no mundo
Vá como se a ida fosse apenas ida
E não fim
Vá
Mas por favor
Deixe a porta aberta
Pois se fechada eu não enxergo nada
Se para alguém eu não for tão errada
Quem sabe sua saída possa se tornar entrada...
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Moça jovem não adormece assim tão facilmente...
Acordo com saudade
Dos risos perdidos
Dos olhares precisos
Dos gestos bonitos
(coração partido)
Levanto com saudade
Dos carinhos suaves
Dos corpos e encaixes
Dos beijinhos na trave
(lembrança que arde)
Converso com a saudade
Sobre as palavras sinceras
Sobre as promessas concretas
Sobre as esperas incertas
(a dor se desperta)
Conto pra saudade
Dos momentos vividos
Dos calafrios sentidos
Da falta de abrigo
(nem reparo que a saudade havia adormecido)
Resta-me a última hóspede
Que, uma vez despertada, se mostra insone
A dor é moça jovem
Energia tem de sobra
Ela acorda e dilacera
Alguns dizem que ela vai-se embora
Então pra quê tanta demora?
Eu me despeço da moça de hora em hora
E ela cisma em me esperar lá fora
A moça sabe que tenho que trabalhar
As horas seguem, os dias passam
A vida tem que continuar
Mas assunto e outro ela teima em puxar
A culpa é minha, toda minha
A dor tem sono leve
Bastou uma conversa com a saudade
para que ela despertasse
Devo cantá-la canções de ninar?
Contá-la história que há?
Fazê-la um chá?
Quem sabe esperá-la cansar
Por isso eu deixo que doa...
E doa
E doa
E doa
E dói
E muito
E doa
E doa
E tic
E tac
E doa
E doa
E doa mais um pouco
E doa
E doa
Tic-tac
E doa
E dói
E doa
E dói
Mas já não tanto
E doa...
E doa...
E dói?
ZzZ
domingo, 12 de dezembro de 2010
É só um tempo
Uma pessoa não deixa de ser ela mesma
Nem por um segundo
Todos os atos são uma variação do ser
O ser completo em suas múltiplas faces
O ser completo em suas essências
Um único ser
Dentro de outros vários
Ama-se chorando
Não se foge de quem é
A dor consome, mas alimenta
A felicidade distrai, mas não sustenta
As torres do nosso castelo
A gente constrói ao longo do sofrer
Quanto mais intenso
Mais seguras.
A gente foge
A gente corre
É por aí
Mas é tudo um ciclo
Não tem como fugir
São apenas voltas
Pra lá e pra cá
Pra cá e pra lá
E sempre de volta ao mesmo lugar
Não há vergonha por chorar
Lágrimas são apenas traduções
Sentimentos que procuram uma saída
Expressão
A dor se alivia
O choro enfraquece
E o corpo descansa
Mas a mente apenas dá um tempo
Apenas um tempo
Um tempo
Tudo o que é necessário
Um tempo
Vai passar...
Sempre há uma primeira vez
O primeiro corte nunca cicatriza
Até que a gente sofra algum outro
Por cima
Só o amor supera o amor
Nada é maior do que o infinito
Que não o próprio infinito
Sofrer faz parte de amar
Não haveria branco se não existisse o preto
Pra quê calor quando não se sente frio?
O tempo leva
Pra depois trazer de volta
O tempo cura
Vai passar...
Mas depois volta
Depois volta.
quinta-feira, 9 de dezembro de 2010
Meu tabuleiro
Mas foi bem feito.
Aceitei a regra, agora sou obrigada a apostar no jogo. Eu que tanto fugi desse tabuleiro, agora me torno uma pecinha dele. Aliás, as outras são tão peças quanto eu. Por que as tenho que enxergar como adversárias? Só porque suas cores não são as mesmas que as minhas? Ou porque elas seguem seu caminho ao longo do tabuleiro e eu continuo ali: parada na primeira casa?
Injusto. Sou tanto peça quanto elas, mas o jogo nunca está ao meu favor. Talvez seja culpa destes malditos dados. Suas combinações sempre caem a favor das outras pecinhas. Eles parecem ser lançados sem nenhuma pena ou mínima consideração por mim. Tem que ser isso! Existe algum tipo de força que permanece alterando a combinação dos meus dados a fim de quê eu permaneça atrás das peças as quais o jogo determinou que seriam minhas inimigas.
Mas será que elas realmente são? Quero dizer, às vezes as pecinhas estão tão preocupadas em seguir em frente que sequer olham para trás e vêem que eu continuo parada ali. Isso por um lado é bom, pois elas não percebem que continuo estagnada. Mas por outro significa que eu já não faço mais parte do seu caminho. Elas não precisam de mim para chegar até o fim. E eu continuo aqui, pensando no rumo que elas seguem, analisando seus progressos através das rodadas e comparando-os com o meu. Até que ponto isso vai contribuir para que o jogo vire e eu saia de cabeça erguida?
No meu jogo é assim: eu pergunto e eu mesma respondo.
Não vai contribuir.
É então que realizo a decisão que deveria ter tomado desde o início da partida: ignoro o desempenho das outras pecinhas. Empresto aos dados um pouquinho da força que esse novo rumo me trouxe e espero ansiosamente pela combinação que deles vai surgir. Aquilo que há algumas rodadas me parecia impossível, acontece: eu ando um número considerável de casas. Isso significa que já não estou mais estagnada. Acreditem ou não, mas eu segui em frente!
O fenômeno se repete por algumas rodadas e eu começo a vislumbrar a ambiciosa possibilidade de puxar a minha carta-bônus. O bolinho está ali, parado, esperando que eu ande o suficiente para me aproximar dele e conquistar a oportunidade de tirar uma cartinha dali. Os dados rolam, as combinações surgem e eu sigo caminhando. Eis que vou de encontro ao bolo que pode mudar o meu rumo no jogo.
Subitamente, me lembro: para onde foram as outras pecinhas?
Olho para frente, mas o tabuleiro parece ter ficado nublado. Não consigo enxergar nada que não seja o meu possível caminho, além do bolo de cartas-bônus. Penso em olhar para trás e ver se em algum momento do caminho eu ultrapassei as peças que tanto me incomodaram. Mas não o faço. Para quê?
Sinto uma força dentro de mim que faz com que eu me concentre apenas no meu desempenho e deixe para trás (ou para frente, onde quer que seja) as peças que o jogo determinou que seriam minhas adversárias. Talvez elas nem fossem de verdade. Quem sabe esse conflito tenha sido apenas produto da competição.
De qualquer maneira, volto a me concentrar no bolinho que reluz à minha frente. Os dados que uma vez conspiraram contra mim fizeram com que eu chegasse até ali. Eu nunca iria deixar passar essa oportunidade. Respiro fundo e puxo a carta que mais me parece ser a correta. E ela diz:
“Siga em frente”
Sério? Era esse o meu bônus? Esperando ler algo que mudasse o rumo do jogo, me levasse direto até a última casa do tabuleiro e concedesse o prêmio final, sou obrigada a encarar uma carta que me diz para continuar algo que já estava fazendo? Como devo encarar isso?
Olho para o bolo de cartas e penso ter feito a escolha errada. Entre tantas que tinham ali, eu poderia ter escolhido alguma que facilitasse o meu jogo, aumentasse meu desempenho, acelerasse o meu progresso... Eu vou lá e puxo justamente uma que não altera nada! Não atrapalha, nem ajuda, não faz nada!
Eis que os dados caem na minha frente e sua combinação já não me favorece tanto o quanto vinha fazendo nas rodadas anteriores. Malditos dados! Obedeçam à carta-bônus! Façam com que eu siga em frente!
Mas a culpa não é dos dados.
Muito menos da carta-bônus.
A culpa não é das outras peças.
É então que eu, pecinha, realizo: é em mim que está a força que deve fazer com que eu chegue ao final do jogo.
A carta-bônus dizia “siga em frente” porque eu fiz com que isso acontecesse. Qualquer outra carta que eu puxasse daquele bolo provavelmente diria a mesma coisa. Toda a minha força interior estava focada naquele objetivo, o que fez com que ele fosse gravado na carta que puxei. Na verdade, ela estava em branco. Todas estavam.
Aquele bolo era composto apenas por cartas. O bônus estava dentro de mim.
Tendo realizado isso, esperei por mais uma rodada. A combinação dos dados não me favoreceu tanto, mas foi suficiente para que eu avançasse duas casinhas. Duas casinhas, em um tabuleiro composto por milhares delas. O que no começo me causaria frustração trouxe a mim um sentimento positivo: novamente, eu segui em frente.
Percebi que, ao longo do jogo, eu teria essa oportunidade diversas vezes. Aquilo me encheu de alegria.
Não sei onde as outras pecinhas foram parar. Não consigo enxergar o fim do jogo, tampouco o caminho que ainda me resta até chegar lá. Mas eu continuo obedecendo à carta que puxei: sigo em frente.
Nunca mais vi outro bolo de carta-bônus.
Quem sabe ele tivesse saído de dentro de mim.
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sexta-feira, 29 de outubro de 2010
A saudade mata
Quando não há mais o gosto da exceção, o cotidiano consome todas as vias do paladar. É impossível sentir o doce, quando, dentro da boca, se abriga um punhado de sal. Porém, como não recordar-se do sabor do açúcar? A questão não é a lembrança: apelo por momentos vividos, resgate de sentimentos passados ou lamento pela perda. O que veio à tona e, neste momento, eu encaro como uma espécie de êxito pessoal, é que não sinto mais falta. Eu lembro, mas não sinto saudade. Essa vontade desesperadora de ter de volta um aquilo que já se perdeu... Essa ausência que arranha, pinica, belisca e incomoda... Cadê?
Saudade boa é aquela que faz cócegas, lembrança que faz sorrir na fila do banco, no ponto do ônibus ou durante o banho. Saudade boa não é a que faz acordar chorando, que afeta não apenas o resto do dia, mas da semana... Por que não da vida inteira?
Vida.
Tão ampla em todo o seu alcance e significado. Viver é tão magnífico, extasiante e envolvente... Quanto passageiro. Um dia você acorda e... Morre.
Morte.
A morte é o intervalo entre um amor e outro. A saudade que machuca, portanto, é a fumaça que cega nossos olhos, enquanto morremos. Ela corta, dilacera, penetra e nos impede de enxergar o caminho para o renascimento.
É quando vem o vento. Uma brisa soprada por outro alguém. E, subitamente, você sente um arrepio. Um arrepio que faz cócegas e dá vontade de sorrir. E você se pega sorrindo, surpreendendo-se ao perceber que ainda sabe como fazê-lo naturalmente. É quando o sopro se torna uma ventania, capaz de afugentar toda aquela fumaça que encobria sua visão. Você percebe o quanto a sua cegueira o impedia de enxergar o caminho para a saída. Lá está ele! Não o caminho... Você nem liga para o caminho. Lá está o seu alguém. Então, você percebe:
A saudade mata.
Mas ninguém morre para sempre.
domingo, 12 de setembro de 2010
Assim é o amor
O amor é tão forte e poderoso que...
Declara.
"Tu és minha vida, o ar que eu respiro"
"Tudo o que eu faço é pensando em ti"
"Tu és minha alma gêmea"
O amor é tão forte e poderoso que...
Compreende.
"Eu te entendo e estou contigo"
"Vamos dar as mãos e enfrentar isso juntos"
"Eu te perdoo. Nosso amor é mais forte que tudo"
O amor é tão forte e poderoso que...
Zela.
"Descanse, meu amor. Hoje eu farei tudo por ti"
"Tem certeza que essa é a melhor escolha? Vamos sentar e refletir juntos"
"Não se preocupe. Eu não deixarei que ninguém te faça mal"
O amor é tão forte e poderoso que...
Evolui.
"Tu és linda. Podemos ficar juntos?"
"Gosto tanto de ti... serias minha namorada?"
"Eu te amo. Queres casar comigo?"
O amor é tão forte e poderoso que...
Solidifica.
"Há tanto, sou louco por ti"
"Para superarmos os problemas, basta que estejamos juntos"
"A cada dia me torno mais apaixonado por ti"
O amor é tão forte e poderoso que...
Supera.
"Nada disso me importa. Eu te amo"
"Nosso amor é mais forte do que tudo"
"Por você, eu suportaria qualquer coisa"
O amor é tão forte
O amor é tão poderoso
Que...
Passa.
Assim como um bom rei sempre perde a coroa
o filósofo morre no auge da sabedoria
e a mais bela flor se vai antes das outras
Porque não há rei que governe com perfeição.
Quanto menos tempo, menos erros.
Nem filósofo que não cometa equívocos.
Quanto menos tempo, menos prepotência.
Tampouco flor que não murche.
Quanto menos tempo viver, mais bela se eternizará.
Assim é o verdadeiro amor. Forte e poderoso por ser assim tão puro, dada a sua efemeridade.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Voa, passarinho
Voa! passarinho
Bata as asas
Bata as asas
Bata as asas
Vê! mar azulzinho
De águas rasas
De águas rasas
De águas rasas
Volta! pro seu ninho
A dor passa
A dor passa
A dor passa
Vai! devagarinho
Pra sua casa
Pra sua casa
Pra sua casa
Voa, meu passarinho...
In memorian: Branco(+2010+)
sábado, 4 de setembro de 2010
Preciso morrer
Penso que quero morrer
e digo
digo em voz alta:
eu quero morrer
preciso morrer
não quero vida
não preciso da vida
eu quero partida
duas vezes a ida
eu quero o infinito
o pedaço de mundo bonito
o ápice do momento sofrido
não quero ombro amigo
quero só meu umbigo
e o fim do corpo ardido
do coração partido
do caminho perdido
olhos castanhos
com lágrimas azuis
e sorriso branco
olhares estranhos
com choro de luz
e riso de engano
preciso morrer
pois hoje padeço
padeço de dor
estou a morrer
e esse é só o começo
pois morro de amor
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Metades
Eu não sou qualquer uma.
Penso alto, sonho alto
Eu não só desejo
Eu almejo
Vou além
Não me venha com tradicionalismo
Rotina pra mim é sinônimo de descaso
Tanto faz como tanto fez
Eu não sou qualquer uma
Faço questão de dizer outra vez
Não sou peça do seu jogo
Há muito perdi meu livro de instruções
Não conheço regras, leis ou manuais
Tanto fez como tanto faz
Você chega e me trata desse jeito
Acha engraçado brincar de ser perfeito?
Absorve, consume, traz encanto
Fez tanto, como faz tanto
Minha mente me grita
Não se entregue, não perca o chão!
Metade de mim é realidade
Mas a outra metade é coração
Eterno equilibrista
Você encontra uma linha tênue
E brinca com minha divisão
Encara essa mistura como pura diversão
Todo esse mistério só me encanta ainda mais
Se tenho alguma dúvida
Tanto fez, como tanto faz...
Seu sorriso sempre satisfaz
Vai e volta como em um balanço
Surge sempre em momentos de desencanto
Não deixa que eu me livre de você
Quando, secretamente, o que mais quero é te perder
A desilusão é o caminho mais eficaz
Machuca, dilacera, tortura
Mas uma hora
Vai embora
Dolorosa cura
É quando metade de mim grita novamente
Olhe pra dentro e entenda o que você sente!
Enquanto parte de mim receia se entregar
Outra parte precisa de você pra continuar
Luto comigo mesma
E com a mistura que me compõe
Enquanto você fica do seu lado
E assiste a tudo afastado
Talvez tenha medo também...
Sente por mim o que nunca sentiu por ninguém
Quem sempre lidou apenas com momento
Teme que o sentimento leve muito mais além
Metade de você é coração
Mas a outra metade é opção
Às vezes dura, às vezes mole
Algumas vezes cospe, outras engole.
Mas eu
Eu não sou qualquer uma
Vou além
Então me diga...
Qual sabor a nossa história tem?
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Mudanças
Mudanças
Mudanças
Mudanças
Alterações?
Não.
Mudanças.
Em toda a plenitude da palavra:
Mudanças.
Andanças.
Transformações?
Não.
Mudanças
Em toda plenitude da vida:
Mudanças
Momentos.
Metamorfoses?
Não.
Mudanças
Em toda plenitude do tempo:
Mudanças
Evolução?
Não.
Mudanças
Em toda plenitude dos sinônimos:
Vida
Tempo
Caminho
Crescimento
Mudanças
Mudanças
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Encerramento?
Não.
Mudança...
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